Israel é a nação do Senhor, a pátria gerada pelo próprio
Deus. Representa, assim, o lugar onde as tribos estão reunidas em que todos
falam a MESMA LINGUAGEM, onde há ALIMENTO (ESPIRITUAL) EM FARTURA. O povo de
Deus naturalmente sente-se em casa em Israel. Não há tantas dificuldades, pois
tudo o que é espiritual está ao alcance. Tem-se AMIGOS QUE COMPARTILHAM DA
MESMA FÉ, pois foram gerados na mesma cultura, enfim. Mas não estamos nesse
lugar. Estamos longe dos amigos, do alimento espiritual RECEBIDO pelos irmãos
sem dificuldade, distantes da nossa tribo e de tudo. Sozinhos.
Assim como José, fomos tirados ainda novos (o que representa
uma movimentação – esta que estamos vivendo – ainda recente, jovem) do seio da
nossa casa (o lugar onde passamos a nossa vida inteira recebendo alimento e
protegidos pelos muros da cidade) para viver em uma terra oposta a Israel: o
Egito.
No entanto, mesmo no Egito (que representa o mundo atual
perdido em libertinagem), longe de Israel, José manteve-se firme. Sozinho.
Ninguém o conhecia. A IDENTIDADE que Deus gerou nele ao longo do tempo foi o
diferencial. A falar um idioma diferente, dentro de uma cultura idólatra, com
fontes diferentes, não se perdeu. IDENTIDADE. O que carregava em si determinou
o ambiente em que viveu.
Outro aspecto interessante, decorrente desse entendimento, é
que José sempre serviu com o que Deus o havia dado. Dons espirituais associados
ao conhecimento de Deus. Ofício. Sempre serviu no Egito com o ofício que o Pai
o tinha dado, não com outro. Não fez cultos; não reuniu pesoas para orar;
provavelmente não pregava publicamente ou “evangelizava”; não celebrava as
festas de Israel, do seu povo. Mas serviu, foi porta, foi influência. Isso
tornou seu Deus conhecido aos ímpios. Simplesmente buscou ao seu Senhor no seu
íntimo, observou Seus mandamentos e serviu aos egípcios com o seu ofício.
Estamos no Egito. Precisamos aprender a viver como José
viveu. A chave para isso é a IDENTIDADE de filhos de Deus e a CONSEQUENTE manifestação
de ofícios e dons. Viver com Deus, conhecer a Deus, falar com Deus, ouvir a
Deus.
Reitero que ainda vivemos em um tempo de prisão, mesmo
depois de já termos manifestados dons e um papel no Reino (José, em um momento
definidor, interpretou sonhos e revelou algo grandioso antes dos dois anos que
ainda precisou ficar na prisão), pois precisamos ser moldados em uma identidade
profundamente ligada ao Pai. Precisamos aprender a viver com Ele independente
dos homens que costumavam nos alimentar, longe da nossa tribo e de suas
tradições, dos muros que nos protegiam, dos amigos... E sermos firmes,
ÍNTEGROS, SERVIR onde quer que estejamos e sermos INFLUÊNCIA para que conheçam
e adorem ao nosso Deus, o Deus de Israel. Não conseguimos nos movimentar,
parece que estamos parados – e estamos! Presos! Necessariamente impedidos de
nos MOVIMENTAR.
Assim como com José, quando o tempo chegar, os simbólicos
dois anos de tratamento e aprofundamento se cumprirem, Ele mesmo fará o que for
preciso para que tomemos um lugar de governo e possamos alimentar os famintos,
tanto os egípcios, como os israelitas, mesmo a família que um dia nos
desprezou, com um coração liberal, com perdão e com a compreensão de que não
foi ninguém, nem por mérito ou por culpa, mas o próprio Deus que nos trouxe até
aqui.